Documentar

Recursos e ferramentas para descrever e documentar os TICCA

Métodos:

(Priorize os métodos habituais ou conhecidos localmente)

Mapeamento participativo (2D e 3D)

O mapeamento participativo ou coletivo dos territórios, os recursos, os hábitats, as espécies, e o zoneamento do uso do solo pode ser um ponto de partida importante para uma ampla gama de objetivos comunitários para um território de vida. O mapeamento pode ajudar as pessoas a refletirem juntas e a chegarem a um consenso sobre a localização do território, o que ele contém, como ele mudou ao longo do tempo e quais (e de quem) são os direitos e as responsabilidades que sustentam o uso e o cuidado do território. Isso pode criar uma unidade entre as gerações e ajudá-las a compartilhar informações. O mapeamento também pode ser uma ferramenta poderosa de defesa. Existem muitos exemplos e recursos para apoiar o mapeamento participativo. (Ver, por exemplo, FAO 2009, IFAD 2009, Mayers et al. 2013:99-101, Rambaldi et al. 2009).

Sistemas de Informação Geográfica Participativo (PGIS, por sua sigla em inglês)

O mapeamento participativo (ou outras iniciativas de documentação dos territórios de vida) pode incluir os PGIS. Este artigo (em inglês) descreve y fornece links para mais informação e recursos sobre os PGIS.

Calendários sazonais

Os calendários sazonais podem ajudar a documentar informações sobre o território de vida que muda ao longo do ano, por exemplo, quais recursos estão disponíveis, como e por quem são usados e cuidados. A publicação Beyond Fences Vol. 2 (em inglês) descreve o propósito, os passos-chave, as fortalezas e as desvantagens dos calendários sazonais e indica que “são desenhos ou séries de símbolos que ilustram as mudanças sazonais de diversos fenômenos de caráter ambiental (como as precipitações) ou social (como a demanda de mão de obra ou a renda familiar). Os calendários fornecem informações sobre as variações sazonais nos problemas, recursos, restrições e oportunidades locais. Por exemplo, podem explorar o uso de diversos recursos e sua fiabilidade, os momentos em que a comunidade ou grupos específicos estão totalmente ocupados (e, portanto, limitados nas contribuições que podem oferecer à iniciativa de conservação), as épocas de seca ou de inundação, os períodos de fome, os eventos culturais, e assim por diante. Os calendários serão diferentes dependendo das ocupações das diferentes partes interessadas. Por esta razão, pode ser melhor fazer este exercício separadamente, com diferentes grupos de interesse.” (Leia mais em Borrini-Feyerabend e Buchan, 1997:140, em inglês).

Histórias locais, linhas do tempo e análises de tendências

A publicação Beyond Fences Vol. 2 (em inglês) descreve o propósito, os passos-chave, as fortalezas e as desvantagens das análises de tendências, e indica que “são usadas como parte de uma entrevista individual ou grupal e consistem em uma investigação aprofundada sobre problemas específicos, como evoluíram, como provavelmente evoluirão no futuro, e quais ações precisam ser tomadas em relação a eles. Para áreas grandes, como uma região ou país, frequentemente os dados relacionados à tendência estão disponíveis, mas para áreas pequenas, como uma aldeia, é improvável que existam esses dados, especialmente os que abrangem um período longo. Assim, a informação necessária para amostrar um padrão de mudança precisa ser obtida localmente. O objetivo da análise de tendências é avaliar mudanças ao longo do tempo. Muitas vezes, é usada para aumentar a conscientização das pessoas sobre fenômenos que se acumulam muito lentamente (por exemplo, a degradação dos solos ou a dinâmica das populações)”. (Leia mais em Borrini-Feyerabend e Buchan, 1997:137, em inglês).

Histórias em áudio, foto ou vídeo

Essas ferramentas e abordagens de narração em formatos áudio e visual também podem ser maneiras poderosas de documentar e compartilhar informações sobre os territórios da vida, incluindo para documentar e construir conhecimentos, competências e recursos relacionados. Há muitas abordagens e ferramentas para apoiar essa tarefa, cada uma das quais pode ser adaptada ao contexto. Por exemplo:

  • A publicação Beyond Fences Vol. 2 descreve o propósito, os passos-chave, os pontos fortes e as desvantagens da “avaliação fotográfica e linguagem dos slides”, e indica que são “uma maneira de usar imagens fotográficas (fotos ou slides) para promover a reflexão e a conscientização, ou para coletar informações específicas. A população local é treinada para usar uma câmera simples para fotografar aspectos significativos, bons e ruins, de suas vidas e seu ambiente. É importante recrutar uma variedade de fotógrafos (por exemplo, homens e mulheres, agricultores e comerciantes), pois cada um terá uma perspectiva diferente sobre o que é relevante. As fotos ou slides são expostas e discutidas em uma reunião de grupo ou da comunidade. A avaliação fotográfica e a linguagem dos slides podem ser usadas para uma variedade de propósitos, como a avaliação ambiental participativa, análise de gênero e avaliação de tecnologias novas e tradicionais. Qualquer que seja o seu uso, essas ferramentas implicam uma abordagem interativa. A linguagem dos slides não deve ser confundida com o uso de materiais audiovisuais pré-elaborados para fins educativos”. (Leia mais em Borrini-Feyerabend e Buchan 1997:135, em inglês)
  • PhotoVoice, “desenha e realiza projetos de fotografia participativa personalizados, de narração digital e de autodefesa para grupos socialmente excluídos” (Site da PhotoVoice, em inglês).

Outros métodos incluem…

  • Cronograma de análise de conflitos (Ver Mayers et al., 2013:28)
  • Análise dos titulares dos direitos e das partes interessadas, análises institucionais e mapeamento participativo de instituições a atores (ver recursos de mapeamento participativo)
  • Análise do poder e dos fatores de mudança (Ver Mayers et al., 2013:31,32).
  • Análise de gênero (Ver Borrini-Feyerabend e Buchan, 1997:141,142).
  • Inventários e análise da biodiversidade (espécies, habitats, ecossistemas, saúde das bacias hidrográficas…) e dos recursos naturais.
  • Coleção e exposição de dados e artefatos históricos e culturais (centros de património comunitário)
  • Registros e relatos de eventos e fenômenos específicos (Ver os relatos fotográficos).
  • Registros de visões e planos coletivos, incluindo os planos de governança e de gestão dos TICCA, os “planos de vida” e os protocolos comunitários (Ver Shrumm e Jonas, 2012).
  • Demarcação física dos limites dos TICCA junto com mecanismos de monitoramento, vigilância e proteção contra ameaças.

Sites e recursos online:

  • LandMark: “a primeira plataforma mundial online e interativa para fornecer mapas e outras informações fundamentais sobre terras que os povos indígenas e as comunidades locais possuem e usam coletivamente. A plataforma global é projetada para ajudar os povos indígenas e as comunidades a proteger seus direitos sobre a terra e a garantir a posse delas. LandMark fornece várias categorias de dados para mostrar a situação de posse da terra para os povos e as comunidades indígenas, bem como as potenciais pressões sobre suas terras, as mudanças na cobertura do solo ao longo do tempo e suas contribuições para a proteção do meio ambiente” (Site de LandMark).
  • Mapping for Rights (Mapeamento para os Direitos) “é um conjunto de ferramentas e abordagens destinadas a colocar às comunidades da floresta tropical no mapa e promover uma governança sustentável, transparente e equitativa da Bacia do Congo”.
  • Gender and Land Rights Database (Base de Dados de Direitos da Terra e Gênero; GLRD, por sua sigla em inglês), permite, entre outras cosas, “conhecer mais sobre os diferentes fatores que geram desigualdades no direito à terra através dos perfis de país, as estatísticas de terra relacionadas ao gênero, e através do novo instrumento de avaliação jurídica (LAT, por sua sigla em inglês)”.

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